Tô na Vida com uma nova Ana Cañas

sábado, 21 de novembro de 2015
Sempre tem aquele cantor ou cantora que não damos muita atenção, que passa despercebido pelos nossos fones de ouvido ou ignoramos quando vem a nossa cidade fazer um show. Era meu caso quando se tratava de Ana Cañas. Não considerava ela uma cantora ruim, pelo contrário, a voz é linda. Mas havia algo em seu som que não me cativava. No meio de tanta cantora, achava mais do mesmo. Com Tô na Vida, quarto álbum de estúdio, lançado esse ano, paguei a língua. 


Em Tô na Vida, Ana Cañas traça e percorre um caminho bem diferente de seus trabalhos anteriores. A voz continua a mesma, afinada e bem colocada. Mas, dessa vez, ganha identidade. Com produção de Lúcio Maia (Nação Zumbi) e da própria Ana Cañas, o disco traz uma pegada rock e é essencialmente autoral.  
Mesmo tendo flertado com o rock em seu segundo disco, “Hein” (Sony Music, 2009), que traz a bela canção “esconderijo”, só agora em Tô na Vida, as canções assumem definitivamente um atmosfera roqueira, emolduradas por guitarras. A faixa que abre o disco, “Existe”, já dá uma mostra dessa transformação, que resulta em algo surpreendente e agradável.
As composições falam de amor, sem ser brega, e ainda tem espaço para canções de cunho feminista como “Mulher”. Os versos dizem: “Sou preta, sou branca, sagrada, profana, sou puta, sou santa, mulher”, que nos remete a rainha do rock brasileiro Rita Lee, tanto na performance vocal quanto na letra semelhante a “Pagu”.
A parceria com Arnaldo Antunes redeu três boas canções, destaque para o single que dá nome ao disco “Tô na vida”, cuja guitarra de Lúcio Maia é responsável por conferir um ar de rock retrô, e a ingênua, porém poética “Um dois um só”, que parece refletir um amor adolescente: "Quando te vi te amei, quando te quis te desejei. E agora que a gente deu um nó, você em mim, nós dois um só", diz os versos da canção. 
A mais inspirada do disco é “Hoje nunca mais”, assinada com Dadi, que não pesa na guitarra para deixar disseminar toda afetuosidade que sugere a canção, sem dúvida a mais bonita do repertório. Mas, o rock volta aparecer com força total em “O som do osso” (Ana Cañas, Lúcio Maia, Pedro Luís), “feita de fim” (Ana Cañas) e “Indivisível” (Ana Cañas), essa última com riffs que remetem a rocks clássicos, no melhor estilo "I Love rock’n’roll". A lista de parceiros inclui ainda a presença ilustre de Marcelo Jeneci, nos teclados, e a banda base formada por Fábio Sá e Betão Aguiar (baixo) e Marco da Costa (bateria).
Nada como o tempo para amadurecer o artista e o ouvinte. Em seu quarto álbum de carreira, Ana Cañas nasceu para mim. Finalmente seu som me cativou. Sem dúvida, Tô na Vida está entre os melhores discos do ano.




De volta!

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Atendendo a pedidos, depois de quase três anos sem atualizações, o blog Todos os Ouvidos está de volta. Vamos falar sobre música sem a pretensão de soar como crítica especializa. O interesse aqui é abrir para o debate, expor opiniões.

Lembrando que o blog não fica restrito a agenda de lançamentos de discos, como costumam fazer os cadernos culturais dos jornais, revistas e até outros blogs. Discos novos, discos velhos, registros musicais, clipes, tudo que valer uma resenha e render opiniões será publicado.


Os melhores discos nacionais de 2012

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Mais um ano começou, o carnaval acabou e o Todos os Ouvidos demorou pra fazer sua listinha de melhores de 2012. Mas estamos de volta e nada melhor que na primeira postagem de 2013 façamos um flashback dos melhores lançamentos musicais do ano que passou. Foram muitos trabalhos bacanas que fizeram a alegria de quem gosta de boa música. Listas dos "melhores" são sempre polêmicas, às vezes injustas e carrega sempre um gostinho pessoal. Por esse motivo a nossa classificação serve mais como sugestão aos leitores. Muitos dos álbuns abaixo receberam boas críticas e se destacaram no cenário musical, vocês facilmente irão encontrá-los em outras listas por aí.

Agora vamos aos destaques de 2012:




10 – Segunda Pele (Roberta Sá) O ano de 2012 começou bem. Roberta Sá lançou Segunda Pele, um disco muito agradável, que segue uma linha diferente dos trabalhos anteriores. O samba ficou de lado e deu lugar ao pop. Roberta saiu da sua zona de conforto e mostrou um repertório mais eclético, uma sonoridade mais diversa e livre. A música de abertura “Lua” já anuncia a novidade. Renovação é a marca desse trabalho, por isso ele é presença garantida em nossa lista. Destaque: Bem a Sós, Pavilhão de Espelhos.

9 – The Moon 1111 (Otto) Depois do aclamado “Certa manhã acordei de sonhos intranquilos” (2009), Otto lançou em novembro passado o disco The Moon 1111, com uma sonoridade pop, kitsch, tecnopop e rock. A atmosfera depressiva do trabalho anterior fica menos evidente nesse novo disco. Momentos dramáticos presentes algumas composições se equilibram com o humor em outras. O repertório é bem costurado. Destaque para as músicas: Ela Falava, Dia Claro, Exu Parade.





8 – Arrocha (Curumim) O som orgânico registrado nos trabalhos anteriores sede lugar as batidas eletrônicas. O disco revela um caráter intimista por ser todo gravado de maneira digital e em estúdio caseiro. O rústico e o moderno se misturam. Destaque: Selvage, Passarinho, Tupazinho Guerreiro.










7 - Treme (Gaby Amarantos) Sem dúvida o som do estado do Pará despontou no país, não só com o aparecimento de cantores talentosos como Lia Sophia e Felipe Cordeiro, mas porque o tecnobrega ganhou ares cult. O Brasil passou a conhecer o ritmo que vêm de uma Amazônia aparelhada, moderna e vibrante. Treme de Gaby Amarantos entra na nossa galeria de melhores, trazendo um Brasil sonoro que poucos conheciam. Destaque: Pimenta com Sal, Ela tá Beba Doida, Ex My Love, Ela tá no ar.




6 – Claridão (Silva) Erudito, moderno, eletrônico e pop. Esse conjunto é que caracteriza o trabalho de Silva. Melhor descoberta sonora de 2013. Destaque: Cansei.








5 – Tropicália Lixo Lógico (Tom Zé) Eclético e inventivo como sempre, Tom Zé revisita o movimento Tropicalista nesse novo disco. Esse trabalho pode causar certo estranhamento, mas sem dúvidas é um verdadeiro estudo das origens do Tropicalismo em forma de música. Tem ainda participações super especiais, entre elas a de Mallu Magalhães, Emicida e Rodrigo Amarante. Destaques: Capitais e Tais, Tropicalea Jacta Est, O Motobói e Maria Clara.




4 - Tudo Tanto (Tulipa Ruiz) Tulipa passou na prova do segundo CD e trouxe um trabalho tão bom quanto o primeiro. A temática urbana e as crônicas do cotidiano continuam sendo comuns nas suas composições. Destaque: É, Dois Cafés, Víbora.










3 – O Deus Que Devasta Também Cura (Lucas Santtana) Nesse disco Lucas aposta na brasilidade e ritmos diversos. Tem até homenagem a Belém do Pará em “Ela é Belém”, trazendo uma pegada tecnobrega, e a São Paulo em “Se Pá Ska S.P”, carregado de um ritmo frenético que simboliza o aspecto caótico da cidade. Enfim, um disco para se ouvir do começo ao fim em alto e bom som. Destaque: Vamos Andar Pela Cidade, Dia de Furar Onda no Mar, O Paladino e Seu Cavalo Altar.



2 – Caravana Sereia Bloom (Céu) A vida na estrada serviu de inspiração para o novo disco de Céu. A sonoridade jazzística e meio hippie dos discos anteriores dão lugar ao bolero e ao brega. Destaque para: Falta de Ar, Retrovisor, Chegar em Mim.









1 – Abraçaço (Caetano Veloso) O disco encerra a trilogia iniciada com "Cê" (2006) e "Zii e Zie" (2009), o projeto roqueiro que levou o cantor a se tornar mais popular entre o público jovem. Aos 70 anos Caetano mantém o vigor criativo. Em Abraçaço encontramos uma bossa nova agressiva em “A Bossa Nova é Foda” e o funk bem sucedido de “Funk Melódico”. Abraçaço é um discaço!






Que venham bons discos em 2013!

A Bossa Nova de Fernanda Takai e Andy Summers

sexta-feira, 9 de novembro de 2012
O lançamento de Fundamental, novo disco solo da cantora Fernanda Takai (Pato Fu) em parceria com Andy Summers (Ex The Police), foi cercado de muita expectativa. O convite para fazer parte do projeto partiu do próprio Summers que, segundo ele, havia composto todas as músicas pensando na voz doce e objetiva de Takai. É claro que o convite foi prontamente aceito. Foram enviadas 18 músicas, nas quais 11 foram escolhidas pela cantora para fazer parte do álbum. Algumas ganharam versões em português feitas por John Ulhoa, Zélia Duncan e da própria Takai, sozinhos ou em parceria. O CD traz uma Bossa Nova com pegada pop e foi lançado também na Europa e Japão. No entanto, “Fundamental” é pouco sedutor.

Para quem acompanhou a estreia da cantora do Pato Fu na carreira solo com o elogiadíssimo “Onde Brilhem os Olhos Seus” (2007), ou mesmo sua trajetória na banda, poderá sentir certa estranheza nesse segundo trabalho. Pois mesmo tendo apresentado uma releitura de sucessos consagrados na voz de Nara Leão, aquele disco conseguia trazer um frescor e dar um ar de novidade as canções. Versões criativas e ousadas, mas sem perder a ternura. Agora, longe dos arrojos artísticos de seu marido John, “Fundamental” ganha uma identidade sóbria demais, algumas vezes burocrática e cansativa. A voz de Fernanda está ótima como sempre, segue a sofisticação dos arranjos de Summers, mas há poucos momentos de ousadia, diria até de liberdade.

Mas o problema está exatamente em estar acostumado com Fernanda no Pato Fu ou sob a supervisão de John. Ao esquecer isso, o disco soa gostosinho até pra quem não está habituado a Bossa Nova. A faixa que dá título ao CD é altamente agradável de ouvir. Algumas canções rompem momentos de marasmo como “No mesmo lugar (Here i am again)”, “You Ligth my dark”, “Smile and blue sky me” e a excelente “Human kind”. No mais, “Fundamental” é um disco que prima pelo sofisticado arranjo instrumental, que traz o percussionista Marcos Suzano transmitindo mais brasilidade as canções, e baixista mexicano Abraham Laboriel.

Apesar do estranhamento inicial, eu que sou fã da Fernanda, me acostumei com a sonoridade do disco. Hoje, ele é fundamental na minha lista de álbuns favoritos.



O fervor criativo da Tropicália

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Em uma antiga postagem, que está entre as mais vistas do blog, eu falava da importância da Tropicália, um movimento cultural que transformou a MPB e causou muito barulho no final da década de 60. Hoje, todos reconhecem a importância da Tropicália na música e cultura nacional, mas, na época, as vaias e a rejeição eram quase unânimes. O Brasil vivia assim dois tipos de ditadura, a militar e a da MPB conservadora, que defendia a música brasileira sem qualquer intervenção ou influência estrangeira. O movimento criado por Caetano Veloso e Gilberto Gil é o produto do documentário – Tropicália, que está em cartaz em todo Brasil.

O movimento durou menos de dois anos, mas foi o suficiente para se consagrar como a última vanguarda musical. O documentário traz imagens raras e tem uma produção muito caprichada. O filme, num primeiro momento, volta no tempo para traçar o perfil dos seus personagens principais, mas focando o período entre 1967 e 1969, no qual o movimento aconteceu de fato. Depois avança até o início dos anos 1970 para mostrar o período de exílio de Caetano e Gil na Inglaterra.

O filme retrata vários momentos marcantes, entre eles a apresentação de Caetano e Gil no III Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record, em 1967, que foi o marco inicial do movimento. Mostra ainda, o arrepiante episódio em que Caetano é vaiado ao cantar “É Proibido Proibir”, no III Festival Internacional da Canção, 1968, e o seu discurso inflamado: “Se vocês forem em política como são em estética, estamos feitos”. Enfim, o documentário traz registros pouco conhecidos, inclusive para os tropicalistas, como, por exemplo, a apresentação de Caetano, Gil e mais alguns amigos no Festival da Ilha de Wight, em 1970. Há depoimentos e presença de outros personagens, entre eles, Tom Zé, Nara Leão, Gal Costa, Torquato Neto, a turma dos Mutantes. Várias cenas arrepiam a gente pela efervescência criativa que foi o movimento.

Vale muito a pena ir ao cinema para assistir ao documentário Tropicália e conferir um dos momentos mais criativos e inteligentes da música brasileira.


Um tudo e um tanto de bom

quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Depois do grande sucesso de Efêmera (2010), que figurou entre os melhores discos daquele ano em várias listas especializadas, Tulipa Ruiz retorna ainda mais ousada e com um som ainda mais contagiante que no trabalho anterior. Tudo Tanto foi lançado recentemente, inclusive pode ser baixado gratuitamente no site da cantora. O repertório traz 11 faixas e incluem algumas participações especiais. O cantor Lulu Santos toca guitarra e divide os vocais com Tulipa em "Dois Cafés", música que fala sobre as aflições cotidianas dos novos tempos. Um pop leve e radiofônico. Vale mencionar também a partição do rapper Criolo na faixa “Víbora”, uma das melhores do disco, na qual a cantora explora sua voz de forma intensa, crua, visceral, destilando toda acidez que a letra propõe. “Metade homem, metade omisso/ Uma parte morta, outra parte lixo”.

Tudo Tanto mostra uma Tulipa renovada, bem mais a vontade e desafiadora. Ela não se acomodou com o sucesso do primeiro disco. Nesse novo trabalho os temas são mais genéricos, universais, ao contrário do disco anterior onde o assunto principal eram histórias do cotidiano, situações mais específicas, leia-se as músicas “Pontual”, “As vezes”, “Da menina”, “Sushi”. A canção “Desinibida”, de Tudo Tanto, conta a história de uma menina solteira, extrovertida, bem resolvida e livre, lembrando um pouco a história de “Pedrinho” do álbum Efêmera, um rapaz também confiante, daqueles que fala o que pensa e sempre te surpreende.

Antes do lançamento oficial, foram divulgadas as músicas “É”, confirmando a pegada pop e potencial radiofônico da canção, além de “Dois Cafés” e “Ok”, essa última a mais ensolarada do disco. Apesar das três faixas serem facilmente comerciáveis, o que poderia gerar um certo receio e preconceito de nossa parte, o disco, de maneira geral, é bem organizado, cumpre e supera as expectativas em torno de um segundo disco. Confirmo aqui o que já tinha dito na primeira postagem sobre Tulipa, seu som é mesmo viciante.

Veja o clipe de "É". Lindo! Vale a pena conferir.

Alegria, alegria! Caetano Veloso faz 70 anos

quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Terça-feira (07), um dos músicos mais importantes da história da música brasileira - Caetano Veloso - completou 70 anos. Mesmo não querendo fazer da data um evento, o dia foi marcado por várias homenagens, por parte dos fãs, nas redes sociais e, além disso, o cantor ganhou um disco tributo. O álbum intitulado "A Tribute to Caetano Veloso", que já começou a ser distribuído pela gravadora Universal, é uma verdadeira homenagem ao artista. Músicos nacionais e internacionais se revezam na interpretação das suas canções mais importantes. Entre os convidados estão o uruguaio Jorge Drexler "Fora da Ordem", o espanhol Miguel Poveda "Força Estranha", a cantora portuguesa Ana Moura "Janelas Abertas nº 2", o americano Beck "Michelangelo Antonioni", a banda londrina The Magic Numbers "You don"t know Me" e Chrissie Hynde "The Empty Boat". Marcelo Camelo, interpreta "É de Manhã", Seu Jorge, com "Peter Gast", Os Mutantes, com "London, London", e Mariana Aydar, com "Araçá Azul".

Nascido no dia 7 de agosto de 1942 em Santo Amaro da Purificação, no interior da Bahia, Caetano Veloso foi um dos idealizadores do Tropicalismo que provocou mudanças profundas na estrutura da música brasileira. E como todo movimento de vanguarda recebeu críticas, não sendo bem recebido pelos conservadores de plantão. Estrelou também o show dos Doces Bárbaros em parceria com Gilberto Gil, Maria Betânia e Gal Costa, o disco homônimo de 1976 é considerado um dos melhores trabalhos da música nacional de todos os tempos. Durante a ditadura ele foi acusado de subversão, foi obrigado a se exilar em Londres, mas não deixou de compor. Ainda no exílio lançou “Transa” (1972), um dos seus discos mais cultuados. Recentemente, ele assinou todas as faixas do novo disco de Gal Costa, “Recanto”, além de produzir o show. E promete, ainda para esse ano, um novo disco de inéditas com a banda Cê. O aniversariente é Caetano, mas quem recebe o presente somos nós, os fãs.

Ouça Eclipse Oculto na voz de Céu :

Um ano sem Amy Winehouse

quarta-feira, 25 de julho de 2012
Há um ano o mundo da música pop perdia uma das suas maiores Divas deixando seus admiradores num estado de ressaca profundo. Em 23 de julho de 2011, Amy Winehouse foi encontrada morta em sua residência em Londres aos 27 anos. Segundo o laudo dos legistas, a causa da morte foi excesso de álcool, não sendo encontrado nenhum vestígio de droga. A imagem de uma cantora de voz encorpada, visual estiloso, protagonista de escândalos, figurinha carimbada dos tablóides sensacionalistas, jamais sairá do imaginário dos fãs.

Amy Winehouse viveu intensamente seus 27 anos. Estourou com os aclamados álbuns “Frank” e “Back to Black”, este último é o segundo disco mais vendido do século 21, perdendo apenas para “21” de Adele. Mesmo após sua morte, Amy ainda é sinônimo de lucro e uma das celebridades mortas mais rentáveis. O álbum póstumo “Lioness: Hidden Treasures”, que tem uma versão de “Garota de Ipanema”, figurou, na semana de lançamento, no topo das paradas britânicas. Além disso, teria vendido mais de 2 milhões de discos, aumentando em 10% o número total de álbuns vendidos em sua carreira.

Depois da morte de Amy, seu pai, Mitch Winehouse, se dedicou a criação de uma fundação que leva o nome da cantora. No dia 14 de setembro, quando a cantora faria 28 anos, a instituição foi lançada com o objetivo de angariar fundos para caridades que apoiem jovens com necessidades especiais, problemas financeiros e viciados em drogas. Seu pai também lançou recentemente a biografia da cantora, “Amy, Minha Filha” (Editora Record), prevista para ser lançada no Brasil em 3 de agosto.

Amy Winehouse poderia ter deixado um legado musical bem maior, bem mais significativo, se não fosse vencida pelas drogas e álcool. Ela experimentou o sucesso e decadência. Mesmo assim, se tornou eterna, inesquecível.

Alanis vem aí!

segunda-feira, 16 de julho de 2012
Depois de um longo tempo sem apresentar novidades musicais, a cantora canadense Alanis Morissette prepara o lançamento de seu oitavo disco, "Havoc and Bright Lights", que estará disponível nas lojas no dia 27 de agosto. Seu último trabalho é "Flavors of Entanglemente", lançado em 2008.

O disco foi gravado em Los Angeles e teve a colaboração de produtores famosos, Guy Sigsworth, que trabalhou com Madonna, Seal e Björk, e Joe Chiccarelli, com U2 e Elton John. Para atiçar os fãs, foi dada uma amostra do que vem por aí, a música de trabalho “Guardian” já está disponível (e pode ser ouvida no final do post).

Para aumentar ainda mais a expectativa, foi anunciada uma série de shows pelo Brasil. As apresentações acontecem nos dias 2 e 3 de setembro em São Paulo (Credicard Hall); dia 5, em Curitiba (Master Hall); dia 7, no Rio de Janeiro (Citibank Hall); dia 9, em Belo Horizonte (Chevrolet Hall); dia 12, em Recife (Chevrolet Hall); dia 14, em Belém (Cidade da Folia); e dia 16, em Goiânia (Goiânia Arena).

Quem viveu bons momentos ao som de Alanis nos anos 90 não vê a hora desse disco chegar as prateleiras e conferir sua performance ao vivo nos palcos brasileiros. Vou adorar relembrar a adolescência, época em que jovens de 14-15 anos ouviam um bom som de rock. Hoje, tá raro.

A farsa de Lana Del Rey

quinta-feira, 28 de junho de 2012
Ela surgiu como fenômeno da internet. Voz fascinante, visual cool, música em tom nostálgico e melancólico. Muito alvoroço e expectativa se formaram em torno de Lana Del Rey. Os singles “Video Games” e “Blue Jeans” viraram hits e a cantora cresceu durante todo ano de 2011. Seria a nova promessa da música pop? Talvez. Mas, após o lançamento do seu primeiro disco, Born To Die, a sensação que ficou é de farsa. Cadê aquela Lana que seduziu os internautas e ouvintes com suas performances cult de clima noir?  O álbum é previsível e cansativo. São 16 faixas, entre oficiais e bônus.

Apesar do conjunto da obra não agradar tanto, existem músicas muito boas. Aquelas já conhecidas do público, “Born to Die”, “Blue Jeans” e “Video Games”. Além de “Million Dollar Man” e “Diet Mtn Dew” que se destacam em meio a mesmice. O que incomoda é que o disco parece não ter unidade. Há muitos malabarismos vocais e recursos sonoros totalmente desnecessários.

O que se pode concluir é que a indústria fonográfica forjou um ícone e tentou explorá-lo ao máximo. Primeiro usando a internet, depois produzindo um disco fraco, exaustivo, sem graça e as pressas para aproveitar a repercussão da cantora na mídia. Mas a prova dos nove deve vir com um segundo CD. Isso se ainda houver fôlego e paciência pra mais um registro.


Gaby Amarantos bota pra tremer

terça-feira, 29 de maio de 2012
Para ouvir o disco de estreia de Gaby Amarantos é preciso esquecer os preconceitos e trancar a caretice no armário, até porque, de cara, já podemos julgá-lo pela capa. O cenário lembra uma floresta rodeada de caixas de som, no meio dela a cantora posa soltando raios laiser dos peitos e domando uma pantera negra. É muita exuberância. A capa de Treme (Som Livre) já dá uma amostra da experiência musical que está por vir.
Numa postagem anterior eu havia comentado o sucesso de Gaby Amarantos na cena musical contemporânea brasileira e de como o brega tem virado cult. Pois bem, o super aguardado disco Treme acaba de chegar às lojas e tem sido bem recebido pela crítica e público. O grande mérito de Gaby é a facilidade que tem em circular entre o mainstream e o underground, entre a galera tradicional e a mais descolada. Ela consegue abranger todas as parcelas do público. O álbum é um verdadeiro liquidificador sonoro e ultrapassa as fronteiras do Pará (Estado de origem da musa e do Tecnobrega). Ali estão o tecnopop, o brega, o merengue, a lambada, o carimbó e demais ritmos do Norte do país. A produção artística ficou a cargo de Carlos Eduardo Miranda, que já realizou trabalho do Raimundos e Mundo Livre S/A.

Gaby emplacou a música “Ex my love” na abertura da novela das sete, Cheias de Charme, da Rede Globo. Antes, virou hit na internet comXirley”, uma canção meio autobiográfica que está entre as melhores do disco. Dentro da proposta mestiça do CD, a participação da cantora Fernanda Takai (Pato Fu) na faixa “Pimenta com Sal” é uma surpresa, já que as duas cantoras têm estilos bem diferentes, mas a química deu certo. Também tem a participação de Dona Onete em “Mestiça”, a mais quietinha do disco, e da banda de tecnobrega Gang do Eletro em “Galera da laje”. O álbum conta ainda com a colaboração de Thalma de Freitas e Iara Rennó em “Chuva”, Felipe Cordeiro em “Ela está no ar”, e a própria Gaby atacando como compositora em “Faz o T”, “Eira” e “Gemendo”. Vale destacar a versão tecno da canção de Zezé de Camargo e Luciano, “Coração está em pedaços”, o que demonstra o apelo popular do disco.
Depois de Treme, esqueçam o rótulo de “Beyoncé do Pará”. Gaby Amarantos é uma figura original e não tem medo de ser chamada de brega. Só mesmo o seu carisma e ecletismo para romper a barreira entre o cafona e o chique.

Aperte o play e ouça Pimenta com Sal

O Início, o Fim e o Meio - Raul Seixas

segunda-feira, 30 de abril de 2012
Semanas atrás assisti ao documentário Raul – O Início, o Fim e o Meio, sobre a vida e carreira do eterno maluco beleza. Foi curioso ver uma plateia tão diversificada, a começar pela faixa etária. Tinha um rapazinho que aparentava ter uns 16 anos sentado na poltrona a minha frente e super entusiasmado. O mais interessante é que ele foi assistir ao filme sozinho. No mínimo, uma situação curiosa, adolescente interessado nesse tipo de música, nesse tipo de gênero cinematográfico e ainda por cima não estava em bando, fiquei impressionado. Isso nos permite perceber como um artista e sua obra podem ser imortais, como pode influenciar gerações.

O documentário, dirigido por Walter Carvalho, tenta acompanhar a vida de Raul do início ao fim reunindo diversos depoimentos de pessoas que fizeram parte da sua vida  O filme começa mostrando a infância do artista na Bahia e sua decisão em ser cantor de rock and roll. Pegava emprestado de amigos do consulado americano em Salvador discos de Elvis Presley, Chuck Berry, Little Richards, ouvia o melhor do rock e Blues americano da década de 50 e 60. Aos 12 anos fundou o conjunto The Panthers (mais tarde Os Panteras), primeiro grupo de rock de Salvador a usar instrumentos elétricos. O filme mostra ainda sua trajetória até ganhar projeção nacional, que teve início com sua apresentação no festival internacional da canção em 1975 cantando “Let me Sing”, seu primeiro hit. Estão presentes no filme depoimentos da mãe do artista, dos amigos de infância, das ex-esposas, de Renato e seus Blue Caps, Tarik de Souza, Nelson Mota, Caetano Veloso, Roberto Menescal, Tom Zé, Pedro Bial, Marcelo Nova, e dos seus parceiros musicais, Claúdio Roberto e Paulo Coelho, este último responsável pela composição de boa parte do repertório dos discos fundamentais da carreira de Raul,  e revela, sem pudores, ter sido responsável por apresentar  as drogas mais pesadas ao cantor.

O material do filme é grande e bem diversificado, mostra os altos e baixos da carreira de Raul Seixas, a relação com as drogas, com o álcool, com as mulheres. O documentário alterna momentos de emoção (depoimento das companheiras, amigos e fãs, além de imagens de shows), diversão (presente em recortes de algumas entrevistas concedidas pelo artista ao longo de sua carreira), e certo constrangimento (como na fala de sua primeira filha que mora nos Estados Unidos e limitou-se a mandar uma mensagem via Skype relatando os motivos em não querer participar do documentário). O filme faz jus ao mito Raul Seixas. Um arrepio e certo nó na garganta é o sentimento que nos acompanha ao longo da película. E a prova viva de que Raul ainda exerce poder e influência no coração das pessoas foi constatada na empolgação do rapazinho de 16 anos, que assistia atento as imagens na tela e cantarolava algumas canções do ídolo. Então, Toca Raul!

Para matar as saudades, The Cranberries - Roses

quarta-feira, 18 de abril de 2012
Após um hiato de 11 anos sem lançar algo inédito, a banda irlandesa The Cranberries volta com o álbum Roses para matar a saudade dos fãs. Sucesso nos anos 90, a banda, comandada pela vocalista Dolores O’Riordan, ficou conhecida mundialmente pelos seus hits, o maior deles “Linger”, do primeiro disco, Everybody Else Is Doing It, So Why Can’t We?, não pode faltar em nenhum show. "Zombie”, “Go your own way”, “ Ode to my family” e “Just my imagination” também são algumas das músicas inesquecíveis do quarteto. Não há novidade, nem ousadia em Roses , é tudo muito convencional, mas nem por isso menos interessante e gostoso. O disco foi idealizado basicamente para os fãs, e se o objetivo era realmente esse eles acertaram em cheio.

Produzido por Stephen Street (Blur, Kaiser Chiefs), Roses traz o pop elegante, a mistura de folk celta com rock inglês dos anos 80 que deram identidade a banda, além, é claro, da voz delicada de Dolores. São 11 faixas e a receita é a mesma, leveza, canções bem arranjadas e bonitinhas fazem parte do cardápio, ou melhor, do repertório.“Tomorrow”, cartão de visitas do novo disco já nasce como hit. Destaque também para as ótimas “Show me the way”, “Waiting in Walthamstow”, “Schizophrenic Playboy” e “Fire & Rain”. O Cranberries é sem dúvida uma das minhas bandas favoritas, reúne um pop rock de refrão fácil, sem ser chato, e um tom levemente melancólico. Mesmo sem grandes surpresas, Roses exala bom gosto. Disco sob medida para matar as saudades.

Novidades da música brasileira em 2012

sexta-feira, 6 de abril de 2012
O ano começou bem com dois grandes lançamentos da música brasileira, o novo trabalho de Céu “Caravana, sereia, bloom” , que adorei, mais intimista que o disco anterior “Vagarosa” (2009), Roberta Sá com “Segunda pele”, disco mais dinâmico, menos óbvio, e Lucas Santtana com “O Deus que devasta mas também cura”. E o ano segue com algumas novidades. Tulipa Ruiz que lançou em 2010, “Efêmera”, um dos melhores discos daquele ano, entra em estúdio em abril e pretende lançar até o segundo semestre o seu novo álbum. A produção continuará a cargo do seu irmão e guitarrista, Gustavo Ruiz. Rita Lee também irá lançar seu novo disco “Reza”,  o CD será distribuído pela Biscoito Fino. Quem pensava que ela iria se aposentar após ter declarado que não irá mais fazer shows, enganou-se. O novo disco de Zeca Baleiro, “O disco do ano”, também está prestes a sair do forno. Ele retorna a uma grande gravadora, a Som Livre, depois de lançar alguns títulos pelo seu próprio selo, o Saravá Discos. Tem a estreia da Banda Uó com um trabalho de inéditas e canções autorais depois do lançamento de um EP de versões que misturam indie rock ao tecnobrega e clipes que bombaram na internet. Eles ainda pretendem lançar clipes para todas as músicas do CD, que tem previsão de sair em junho. E por falar em tecnobrega, Gabi Amarantos está chegando com “Treme” e promete sacudir a indústria da música.

São promessas, ainda para esse ano, materiais inéditos de Rodrigo Amarante, Otto, Nando Reis, Gilberto Gil, Titãs e Nação Zumbi. Além disso teremos o lançamento de um disco tributo a Caetano Veloso, que comemora 70 anos em agosto, com participações de artistas de diferentes gerações e estilos. Preparem os bolsos, encham os cofrinhos ou organize o HD de seu computador, porque esse ano promete.

Magary Lord inventando moda

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012


Não, não é pagode, nem axé. Acabou o carnaval, mas o ritmo do verão foi outro, é o Black Semba do Magary Lord, artista que vem conquistando público e espaço cada vez maior na mídia. O som é uma mistura de ritmos que vem da África, samba do Recôncavo e a black music. Magary Lord é o nome artístico de Francisco Pereira Chagas, percursionista e compositor que começou se apresentando na cena alternativa baiana e foi o cantor revelação desse carnaval. O primeiro disco foi lançado em 2007, mas foi o segundo, Escutando Magary, que o reconhecimento e o sucesso vieram. Destaque para as canções “Inventando moda” e “Joelho”. Inclusive a música “Circulou”, destaque no carnaval e cantada pela banda Eva, é uma de suas composições. 

Clique e ouça "Inventando moda", é muito bacana.


Cansei de Ser Sexy – La Liberación

sábado, 21 de janeiro de 2012

A Banda Cansei de Ser Sexy ou simplesmente CSS não entrou para nosso top 10, mas, sem dúvida, seu disco mais recente, La Liberación, entra na lista dos 15 melhores de 2011. A banda formada por Lovefoxxx, Ana Rezende, Luiza Sá, Carolina Parra e Adriano Cintra, opa! o Adriano deixou o grupo recentemente, resultado de prováveis desentendimentos. Apesar da perda, a turma continua em turnê mundial mesmo sem ele. CSS ficou famosa na cena indie com sucessos que viraram hits como “Alala”, "Meeting Paris Hilton" e “Music is my hot hot sexy”. A banda ganhou destaque e projeção na internet conquistando o público gringo ficando mais conhecidos fora do Brasil.

Nesse terceiro disco o CSS resgata suas origens, porém de forma mais madura, harmônica e sem os exageros do antecessor Donkey (2008). La Liberación é bastante experimental e mistura o melhor dos seus trabalhos anteriores. Nesse sentido, a sonoridade surpreende pela diversidade. Instrumentos como saxofone, piano, trombeta e guitarra espanhola tem presença marcante na estética do álbum. Composto de 11 faixas, cada uma aponta para uma direção, no entanto, sem perder a identidade. La Liberación é, portanto, um disco dinâmico, envolvente e interessante. 

A faixa de abertura “I love you” tem uma pegada eletrônica e dançante, um bom convite para ouvir o que vem pela frente. Em seguida a vibe muda de lugar e dá espaço para “Hits me like a rock”, uma espécie de eletro-reggae com um refrão grudento e irresistível. A música conta ainda com a participação vocal de Bobby Gillespie, do Primal Scream. A referência flamenca entra em cena em “City grrrl”, a guitarra espanhola dialoga com o pop eletrônico em uma das músicas mais legais, que já tem clipe no melhor estilo Cansei de Ser Sexy. A banda arrisca no espanhol na canção que dá nome ao disco, mostrando energia e a irreverência que lhes são típicas, “Grita! Grita! Mami! Mami! Mami! Grita! La-la-la Liberación, Te-te-te Liberes” diz o refrão. No final eles chutam o pau da barraca e cantam "Fuck everything". Destaque também para a deliciosa You cold have it all”, as bacanas “Rhythm to the rebels” e Red alert”. O humor escrachado, a diversão e a vontade de experimentar vêm com força total nesse novo trabalho. Veja o clipe de “Hits me like a rock” e divirta-se! O clipe de "City grrrl" também já está disponível.


Os melhores de 2011 - Top 10 Nacional

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Para quem acha que a música brasileira está em crise, realmente não tem percorrido os lugares certos. O ano de 2011 foi marcado por grandes lançamentos. Veteranos e novatos destacaram-se na cena musical com discos bem bacanas, alguns foram destaques nas listas dos melhores do ano em diversos blogs de música, rádios e revistas especializadas. O Todos os Ouvidos se baseia em algumas dessas indicações e monta sua própria lista, servindo também como uma recomendação aos leitores do blog. 

Segue abaixo os 10 melhores álbuns nacionais de 2011:


10. Mallu Magalhães - Pitanga
Apesar de ter certa resistência a Mallu Magalhães, dessa vez ela me surpreendeu verdadeiramente. Pitanga é um disco envolvente, leve, gostoso e cheio de amor. O álbum revela novas facetas da cantora, que dessa vez dá mais destaque a bossa nova, MPB e a surf music. O folk aparece com menos frequencia, e os temas juvenis, característicos dos trabalhos anteriores, dão lugar ao romantismo. O álbum tem um toque todo especial de Marcelo Camelo que assinou a produção. Destaque para as músicas "Velha e Louca", "Sambinha bom", "Youhuhu".


9. Los Porongas – O Segundo Depois do Silêncio
Grupo acreano, pouco conhecido pelo público, lançou seu segundo disco e se destacou entre a crítica. Difícil encontrar essa preciosidade, mesmo para quem vive garimpando novidades por aí. Com 12 faixas, uma produzida em parceria com Dado Villa-Lobos (Legião Urbana) “Sangue Novo”. O álbum explora novas sonoridades, instrumentos como metais, viola caipira e piano, além de participações especiais, como Hélio Flanders (Vanguart) e Maurício Pereira (ex-Mulhers Negras). Uma maravilha para os ouvidos. Destaques: "Fortaleza", "Desordem (Time Out)", "A Verdade".

8. Cícero – Canções de Apartamento
Álbum de melodias e letras delicadas. Uma bossa nova repaginada com um repertório repleto de boas referências da MPB. Um bom início de carreira para um artista talentoso. Comece ouvindo "Tempo de Pipa" e viaje nas letras e sonoridade desse disco envolvente.
7. Chico Buarque – Chico
Álbum ansiosamente aguardo que não agradou a todos, esperava-se algo mais. O disco está disposto em dez faixas correspondendo a apenas trinta minutos de música, o que gera um pouco de frustração nos fãs. Porém, Chico optou pela simplicidade e uma aura intimista nesse novo trabalho, deixando de lado letras muito longas. A temática é relativamente pessoal. Destaques para "Essa Pequena", "Meu Querido Diário".

6. Marisa Monte – O Que Você Quer Saber de Verdade
O aguardadíssimo oitavo disco de Marisa Monte chegou exaltando a felicidade e o amor. Alguns fãs e críticos se frustraram por terem considerado um disco fraco, simples e convencional demais, principalmente se comparado aos seus trabalhos anteriores “Infinito Particular” e “Universo ao Meu Redor” (2006) . Mas, o grande mérito do álbum é exatamente esse, a simplicidade. A cantora parece cantar de forma livre e sem pretensões. A proposta é exaltar o romantismo e a felicidade, como em "Amar Alguém",  "Seja Feliz", "O que Você quer Saber de Verdade".

5. Lenine – Chão
Sou suspeito ao falar de Lenine, que é um artista que adoro e considero dos mais criativos da música brasileira. O novo álbum do cantor aposta no experimentalismo, mas sem exageros. Todas as canções são molduradas pela captação de ruídos e sons naturais, como em "Se não for Amor, Eu Cegue" conduzida por batimentos cardíacos e ruídos de respiração, "Uma Canção e Só" ouvi-se o apito de uma chaleira, em "Malvadeza" percebe-se o barulhinho de cigarras, ou em "Envergo, mas não Quebro" o som de motosserra e a derrubada de uma árvore.  Em apenas 28 minutos de música, Lenine transmite uma sensação de acolhimento profundo e ímpar. 


4. Mariana Aydar – Cavaleiro Selvagem Aqui te Sigo
Diferentemente do ensolarado “Peixes, pássaros, pessoas” (2009), nesse novo disco Mariana se distancia do samba trazendo um repertório mais diversificado. O Jazz, tango, carimbo e forró, são alguns dos ritmos explorados. A diversidade pode ser justificada pela contribuição do baiano Letieres Leite, fundador da Orquestra Rumpilezz, e que coproduziu o disco. Com poucas faixas autorais, o álbum é basicamente constituído de regravações, que por sinal são ótimas. Destaque para Nine Out of Ten”, de Caetano Veloso, gravada no disco Transa, de 1972 e "Vai Vadiar", conhecida na voz de Zeca Pagodinho. 


3. Criolo – Nó na Orelha
Não entendo muito de rap ou hip hop, mas não tinha como ficar indiferente a um artista que foi o destaque do ano, tanto por estar presente em diversas listas de melhores álbuns de 2011 como pelos prêmios adquiridos no VMB. A audição de Nó na Orelha foi uma experiência maravilhosa. O álbum extrapola qualquer tipo de rótulo ficando difícil classificá-lo. É muito mais que um disco de rap. Destaque para as canções "Bogotá",  "Não existe amor em SP"



2. Karina Buhr – Longe de Onde
Karina nos encanta pela sua delicadeza e acidez. Um disco cheio de vibração e uma estética impecável. Mais informações no post “Karina Buhr me dá asas!”



1. Gal Costa – Recanto
O sangue tropicalista ainda corre em suas veias. Gal Costa apresenta um álbum experimental, inovador, ousado e totalmente imprevisível. Sob a batuta de Caetano Veloso, responsável por todas as composições e que também assina a produção do disco, Gal usa sua voz inconfundível em arranjos eletrônicos. Com uma parceria dessas e com um disco fora do comum, o Todos os Ouvidos elege Recanto o disco do ano. Destaque para "Neguinho", "Miame Maculelê", "Autotune Auterotico", "Recanto Escuro", "Mansidão". 

Retrospectiva Todos os Ouvidos 2011

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Em novembro o blog Todos os Ouvidos completou dois anos. Apesar das postagens terem sido menos frequentes do que no ano anterior, o balaço foi positivo. Ganhamos novos leitores, fomos da música francesa ao tecnobrega, respondendo ao objetivo do blog que é “Todo tipo de música para todo tipo de ouvido”, somos, afinal, ecléticos. No entanto, a escolha dos temas não é mera coincidência, não é feita ao acaso, os temas têm que ser, no mínimo, interessantes, gerar uma discussão bacana e produtiva. Afinal, cada um tem sua preferência musical, mas, ela pode ser colocada em causa. Obrigado a todos que acompanham o blog, aos que leram as postagens, aos que comentaram, ou apenas fizeram uma vista.

 Segue as postagens do ano por ordem de número de comentários e as opiniões mais bacanas, inusitadas e curiosas:

Carla Bruni, "Tu Es Ma Came" (28/06) [48 comentários]
“Na época quando deu essa polêmica com a música, a mídia recortou os trechos falando sobre as drogas afegãs e colombianas, totalmente fora do contexto. Quando se escuta a música inteira, e presta atenção na letra, vê que estes exemplos não fogem da proposta. Problema é que a Carla Bruni, sabendo da posição que ocupa, poderia perfeitamente ter evitado” Mário Sérgio

O Pop gostosinho de Katy Perry (24/04) [48 comentários]
“Concordo com vc, esse pop dela é de muito boa qualidade mesmo diferente de outros, esse tem batidas e letras bem legais e que agradam até quem não curte muito o estilo de musica Parabéns pelo texto” André Ribeiro


“Não consigo gostar de nenhuma dessas cantoras da nova geração, Kate, Lady Gaga, Byonce, Shakira, vixe, muita treta. Fazem a mesma coisa, tudo copiando uma às outras, prefiro escutar Billie Holiday” Paulo Cheng 


O som e o sotaque arretado de Karina Buhr (21/03) [48 comentários]
“Que massa teus textos! E fiquei bem feliz de ler o que você escreveu sobre meu disco e sobre mim. Obrigada! Acho importante demais blogs feito o seu, totalmente independentes e falando opiniões bem pessoais e sem vício jornalístico. Um abraço bem grande!” Karina Buhr 


“[...] Acho interessante que hoje em dia estão começando a valorizar mais aquilo que é produzido "com liberdade", pois as gravadoras estão percebendo que forçar a barra do artista pra ganhar mais dinheiro não está agradando tanto, e essa liberdade que está presente no disco da Karina está vendendo até mais do que a artificialidade muitas vezes imposta por terceiros. Minha única crítica fica ao fato de praticamente todos os créditos ficarem apenas para a Karina. O instrumental da banda é muito interessante, tem grande parte da força que o conjunto do álbum tem” Gabriel Pozzi 


Bicicletas, bolos e outras alegrias - Vanessa da Mata (10/01) [48 comentários]
“Das poucas cantoras da MPB que não estão atoladas nos anos 50. Gosto muito. O nome desse CD é dos mais criativos que vi nos últimos tempos” Pobre Esponja 


O rock underground da banda Ludov (02/05) [47 comentários]
“Fiquei todo animado quando vi que você ia falar dessa banda *--* Meus irmãos ouviam MUITO quando eu era criança, e consequentemente cresci ouvindo esses estilos de música. Infelizmente ou felizmente, cada um seguiu seu rumo, mas continuei escutando tais músicas. A minha predileta é "Princesa" Muito massa mesmo! valeu pelo post nostálgico rsrs” Lucas

O hit da internet – A banda Mais Bonita da Cidade (03/06) [46 comentários]
“Cara, gostei disso não. Pra mim é só mais uma bandinha universitária metida a cult do tipo de Teatro Mágico. Detesto isso. Como ja´disseram: "Banda Mais Bonita nada mais é que Restart pra universitário de classe média alta” Alexandre Silva 


“Nao acredito que foi sem pretenção. Muito espertos eles, usaram a receita da repetição, falaram de amor... simples. Não gostei muito do estilo da música não,e nem da letra que pretende" trazer amor pra galera" como eles falaram, mas o clipe todo em plano sequencia, aparentimente sem cortes eu gostei” Filipe Dias 


“Som muito riponga pro meu gosto, mas a ideia foi bem legal” Fábio Alves

A perda do valor da música gravada (22/07) [45 comentários]
Ótimas opiniões! A postagem que rendeu os melhores comentários. 


O som viciante de Tulipa Ruiz – Efêmera (15/02) [44 comentários]
“[...] Efêmera de fato entrou em todas as listas possíveis, um puta album nacional que, embora eu não tenha ouvido muito (infelizmente me encantei menos do que devia), é uma obra que admiro muito por sua variedade de estilos. tem gente que vê isso como algo negativo, mas eu acho muito bom [...]” Gabriel Pozzi


“Bom, eu sou mais uma que não conhecia. rs Gostei da voz e da música, e tu tem razão quando diz que a voz dela lembra um pouco a gal. Também me fez lembrar a Vanessa da Mata. Não é o tipo de música que eu gosto de escutar diariamente, mas me encanta alegrar os ouvidos com o estilo uma vez ou outra” Cris Prates 


Certa manhã acordei de sonhos intranquilos – Otto (04/04) [43 comentários]
“Otto é um artista interessante, sem dúvida. Muita curiosidade para ouvir a regravação de "Naquela Mesa", sucesso antigo de Nelson Gonçalves (homenagem à Jacob do Bandolim) .. vou procurar ouvir” Mulherices 


“Sabe que eu nunca tinha reparado muito mesmo no som dele? É curioso como tem tantos artistas bons por ai que passam desapercebidos do grande público e acabam não tendo o devido valor. Senti um pouco isso quando fui ao show do Zeca Baleiro. Não é meu estilo e nem sou muito fã mas valeu a pena de um certo modo pois ele manda muito bem. Agora fiquei curioso sobre o OttoMarcus Alencar 


"Não sou mto fã de música brasileira. mas reconheço certos cantores sim.. mas tem outros que nem cantar sabem.. prefiro o estio internacional. hehehe Beziitos.” Thais Souza 


Karina Buhr me dá asas! (19/12) [42 comentários]
“Conheci a musica da Karina pela Mtv ano passado, que sempre passavam clipes e participações dela, mas me impressionei msm foi no rock in rio, mesmo se apresentando no palco sunset, de tarde, ela a cibelle e a Amora, fizeram um show mto bom, com estática maravilhosa super 70tista, passei a adora-la mais desde então...” Fernando (www.titulobaca.blogspot.com)

Ela parece que tá possuída gente huahuahuau gostei até :D” Iza Carrion

O brega virou cult, o sucesso de Gaby Amarantos (31/10) [42 comentários]
“O post tá interessante, mas sinceramente...eu não vejo qualidade nenhuma no tecnobrega. Acho um verdadeiro lixo, assim como o funk brasileiro =P” Juliana (www.jujubalubafacts.blogspot.com)


“Nenhum preconceito, curto montão algumas músicas ditas bregas; rótulo dos outros não é o meu. ‘O amor e o poder’, por exemplo, além de Abba, Magal... tem coisa mais deliciosa? :-) Brega é cara azeda que diz não antes de tentar ser feliz. Tecnobeijos e sucesso!” Fernanda Duarte 


O eletro-pop safadinho de Yelle (07/09) [42 comentários]
“Também gosto de apreciar música de qualidade quando vejo uma. O que eu posso dizer sobre Yelle é que seu estilo colorido de fato lembra muito os grupos dance dos anos 80. Pensei que ela até seria dessa época. Percebo também que sua qualidade musical ultrapassa e muito algumas cantoras americanas que só aparecem pra vender. Achei yelle mais natural e seu clipe mostra realmente essa energia e compromisso com o estilo musical, independente da mídia estar comprando a imagem. Sua música é divertida e agrada pessoas de todos os gostos e idades.” Marcelo Mesquita 


“Não gostei! Funk francês, não obrigada! rsrs...” Débora 


Música infantil inteligente e divertida (16/05) [42 comentários] 
“Otima essa idéia!! uma maneira de fazer chegar no ouvidinho da criança bem cedinho a musica brasileira. Acredito q a música seja um pouco como a leitura, se praticarmos, incentivarmos, se acaba tomando gosto pela coisa. E as musicas da xuxa...aposto q quem gosta mais, atualmente não são nem mais os pequenos, e sim a prole de pais que fizeram parte da geração tindolele.” Cris Prates  


Grande gravadora, pra quê? (28/01) [42 comentários]
Rendeu bons comentários, difícil escolha. 


“Para quem busca por novos artistas, e ainda debate muitas questões do atual mercado fonográfico! acho que os downloads de músicas e tal, prejudicam sim muitas bandas e isso reflete no trabalho que as mesmas tem junto as gravadoras! muitos desses artistas, inclusive, preferiram montar suas próprias gravadoras e serem seu próprios empresários para ter um controle maior e melhor em cima do material musical que estariam produzindo (caso do cantor e músico lobão, que criou o gravadora dele). mas a vantagem de se saber usar esse espaço virtual é mesmo garimpar e saber utilizar o meio como uma fonte de divulgação e propaganda... isso pode mesmo ajudar muitos artistas anônimos e desconhecidos, que querem ter seus trabalhos em destaque! como esse grande músico que vc postou aí no post, muito talentoso mesmo, por sinal.” Marcel Camp 


“Pra quem começa a engatinhar no mercado fonográfico, lançar músicas não é tarefa fácil, mediante uma série de preconceitos existentes e os custos de uma produção. A rede tem dois lados, no meu ver: dificulta para aqueles que tem seus trabalhos lançados, quando oferece downloads de seus discos ou Dvds; em paralelo, facilita a divulgação do trabalho daqueles que não tem condição de arcar com a produção de seu disco ou não conseguem devido espaço nas gravadores. Dois lados de uma mesma moeda...” Barbara Nonato 


Dos conflitos a obra-prima, Fleetwood Mac – Rumours (15/08) [34 comentários]
“Eu já conhecia a banda, mas pouco, por causa do meu pai. Eu ouvia a versão de Go Your Own Way gravada pela banca de hardcore melódico NOFX e nem sabia que era deles, até parar pra prestar atenção em uma música que estava ouvindo” Alex (http://oldschoolgeek13.blogspot.com)


Quem é a rainha? (01/03) [33 comentários] 
“Olá! Não entendo muito desse estilo musical, mas creio que quem curte axé está mais preocupado em "tirar o pé do chão" do que escolher uma cantora favorita para fazer isso...acho que as 3 tem o mesmo espaço...” Talita Cruz


Obrigado a todos, continuem opinando. Feliz Ano Novo!