Cansei de Ser Sexy – La Liberación

sábado, 21 de janeiro de 2012

A Banda Cansei de Ser Sexy ou simplesmente CSS não entrou para nosso top 10, mas, sem dúvida, seu disco mais recente, La Liberación, entra na lista dos 15 melhores de 2011. A banda formada por Lovefoxxx, Ana Rezende, Luiza Sá, Carolina Parra e Adriano Cintra, opa! o Adriano deixou o grupo recentemente, resultado de prováveis desentendimentos. Apesar da perda, a turma continua em turnê mundial mesmo sem ele. CSS ficou famosa na cena indie com sucessos que viraram hits como “Alala”, "Meeting Paris Hilton" e “Music is my hot hot sexy”. A banda ganhou destaque e projeção na internet conquistando o público gringo ficando mais conhecidos fora do Brasil.

Nesse terceiro disco o CSS resgata suas origens, porém de forma mais madura, harmônica e sem os exageros do antecessor Donkey (2008). La Liberación é bastante experimental e mistura o melhor dos seus trabalhos anteriores. Nesse sentido, a sonoridade surpreende pela diversidade. Instrumentos como saxofone, piano, trombeta e guitarra espanhola tem presença marcante na estética do álbum. Composto de 11 faixas, cada uma aponta para uma direção, no entanto, sem perder a identidade. La Liberación é, portanto, um disco dinâmico, envolvente e interessante. 

A faixa de abertura “I love you” tem uma pegada eletrônica e dançante, um bom convite para ouvir o que vem pela frente. Em seguida a vibe muda de lugar e dá espaço para “Hits me like a rock”, uma espécie de eletro-reggae com um refrão grudento e irresistível. A música conta ainda com a participação vocal de Bobby Gillespie, do Primal Scream. A referência flamenca entra em cena em “City grrrl”, a guitarra espanhola dialoga com o pop eletrônico em uma das músicas mais legais, que já tem clipe no melhor estilo Cansei de Ser Sexy. A banda arrisca no espanhol na canção que dá nome ao disco, mostrando energia e a irreverência que lhes são típicas, “Grita! Grita! Mami! Mami! Mami! Grita! La-la-la Liberación, Te-te-te Liberes” diz o refrão. No final eles chutam o pau da barraca e cantam "Fuck everything". Destaque também para a deliciosa “You cold have it all”, as bacanas “Rhythm to the rebels” e “Red alert”. O humor escrachado, a diversão e a vontade de experimentar vêm com força total nesse novo trabalho. Veja o clipe de “Hits me like a rock” e divirta-se! O clipe de "City grrrl" também já está disponível.


Os melhores de 2011 - Top 10 Nacional

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Para quem acha que a música brasileira está em crise, realmente não tem percorrido os lugares certos. O ano de 2011 foi marcado por grandes lançamentos. Veteranos e novatos destacaram-se na cena musical com discos bem bacanas, alguns foram destaques nas listas dos melhores do ano em diversos blogs de música, rádios e revistas especializadas. O Todos os Ouvidos se baseia em algumas dessas indicações e monta sua própria lista, servindo também como uma recomendação aos leitores do blog. 

Segue abaixo os 10 melhores álbuns nacionais de 2011:


10. Mallu Magalhães - Pitanga
Apesar de ter certa resistência a Mallu Magalhães, dessa vez ela me surpreendeu verdadeiramente. Pitanga é um disco envolvente, leve, gostoso e cheio de amor. O álbum revela novas facetas da cantora, que dessa vez dá mais destaque a bossa nova, MPB e a surf music. O folk aparece com menos frequencia, e os temas juvenis, característicos dos trabalhos anteriores, dão lugar ao romantismo. O álbum tem um toque todo especial de Marcelo Camelo que assinou a produção. Destaque para as músicas "Velha e Louca", "Sambinha bom", "Youhuhu".


9. Los Porongas – O Segundo Depois do Silêncio
Grupo acreano, pouco conhecido pelo público, lançou seu segundo disco e se destacou entre a crítica. Difícil encontrar essa preciosidade, mesmo para quem vive garimpando novidades por aí. Com 12 faixas, uma produzida em parceria com Dado Villa-Lobos (Legião Urbana) “Sangue Novo”. O álbum explora novas sonoridades, instrumentos como metais, viola caipira e piano, além de participações especiais, como Hélio Flanders (Vanguart) e Maurício Pereira (ex-Mulhers Negras). Uma maravilha para os ouvidos. Destaques: "Fortaleza", "Desordem (Time Out)", "A Verdade".

8. Cícero – Canções de Apartamento
Álbum de melodias e letras delicadas. Uma bossa nova repaginada com um repertório repleto de boas referências da MPB. Um bom início de carreira para um artista talentoso. Comece ouvindo "Tempo de Pipa" e viaje nas letras e sonoridade desse disco envolvente.
7. Chico Buarque – Chico
Álbum ansiosamente aguardo que não agradou a todos, esperava-se algo mais. O disco está disposto em dez faixas correspondendo a apenas trinta minutos de música, o que gera um pouco de frustração nos fãs. Porém, Chico optou pela simplicidade e uma aura intimista nesse novo trabalho, deixando de lado letras muito longas. A temática é relativamente pessoal. Destaques para "Essa Pequena", "Meu Querido Diário".

6. Marisa Monte – O Que Você Quer Saber de Verdade
O aguardadíssimo oitavo disco de Marisa Monte chegou exaltando a felicidade e o amor. Alguns fãs e críticos se frustraram por terem considerado um disco fraco, simples e convencional demais, principalmente se comparado aos seus trabalhos anteriores “Infinito Particular” e “Universo ao Meu Redor” (2006) . Mas, o grande mérito do álbum é exatamente esse, a simplicidade. A cantora parece cantar de forma livre e sem pretensões. A proposta é exaltar o romantismo e a felicidade, como em "Amar Alguém",  "Seja Feliz", "O que Você quer Saber de Verdade".

5. Lenine – Chão
Sou suspeito ao falar de Lenine, que é um artista que adoro e considero dos mais criativos da música brasileira. O novo álbum do cantor aposta no experimentalismo, mas sem exageros. Todas as canções são molduradas pela captação de ruídos e sons naturais, como em "Se não for Amor, Eu Cegue" conduzida por batimentos cardíacos e ruídos de respiração, "Uma Canção e Só" ouvi-se o apito de uma chaleira, em "Malvadeza" percebe-se o barulhinho de cigarras, ou em "Envergo, mas não Quebro" o som de motosserra e a derrubada de uma árvore.  Em apenas 28 minutos de música, Lenine transmite uma sensação de acolhimento profundo e ímpar. 


4. Mariana Aydar – Cavaleiro Selvagem Aqui te Sigo
Diferentemente do ensolarado “Peixes, pássaros, pessoas” (2009), nesse novo disco Mariana se distancia do samba trazendo um repertório mais diversificado. O Jazz, tango, carimbo e forró, são alguns dos ritmos explorados. A diversidade pode ser justificada pela contribuição do baiano Letieres Leite, fundador da Orquestra Rumpilezz, e que coproduziu o disco. Com poucas faixas autorais, o álbum é basicamente constituído de regravações, que por sinal são ótimas. Destaque para “Nine Out of Ten”, de Caetano Veloso, gravada no disco Transa, de 1972 e "Vai Vadiar", conhecida na voz de Zeca Pagodinho. 


3. Criolo – Nó na Orelha
Não entendo muito de rap ou hip hop, mas não tinha como ficar indiferente a um artista que foi o destaque do ano, tanto por estar presente em diversas listas de melhores álbuns de 2011 como pelos prêmios adquiridos no VMB. A audição de Nó na Orelha foi uma experiência maravilhosa. O álbum extrapola qualquer tipo de rótulo ficando difícil classificá-lo. É muito mais que um disco de rap. Destaque para as canções "Bogotá",  "Não existe amor em SP". 



2. Karina Buhr – Longe de Onde
Karina nos encanta pela sua delicadeza e acidez. Um disco cheio de vibração e uma estética impecável. Mais informações no post “Karina Buhr me dá asas!”



1. Gal Costa – Recanto
O sangue tropicalista ainda corre em suas veias. Gal Costa apresenta um álbum experimental, inovador, ousado e totalmente imprevisível. Sob a batuta de Caetano Veloso, responsável por todas as composições e que também assina a produção do disco, Gal usa sua voz inconfundível em arranjos eletrônicos. Com uma parceria dessas e com um disco fora do comum, o Todos os Ouvidos elege Recanto o disco do ano. Destaque para "Neguinho", "Miame Maculelê", "Autotune Auterotico", "Recanto Escuro", "Mansidão". 

Retrospectiva Todos os Ouvidos 2011

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Em novembro o blog Todos os Ouvidos completou dois anos. Apesar das postagens terem sido menos frequentes do que no ano anterior, o balaço foi positivo. Ganhamos novos leitores, fomos da música francesa ao tecnobrega, respondendo ao objetivo do blog que é “Todo tipo de música para todo tipo de ouvido”, somos, afinal, ecléticos. No entanto, a escolha dos temas não é mera coincidência, não é feita ao acaso, os temas têm que ser, no mínimo, interessantes, gerar uma discussão bacana e produtiva. Afinal, cada um tem sua preferência musical, mas, ela pode ser colocada em causa. Obrigado a todos que acompanham o blog, aos que leram as postagens, aos que comentaram, ou apenas fizeram uma vista.

 Segue as postagens do ano por ordem de número de comentários e as opiniões mais bacanas, inusitadas e curiosas:

Carla Bruni, "Tu Es Ma Came" (28/06) [48 comentários]
“Na época quando deu essa polêmica com a música, a mídia recortou os trechos falando sobre as drogas afegãs e colombianas, totalmente fora do contexto. Quando se escuta a música inteira, e presta atenção na letra, vê que estes exemplos não fogem da proposta. Problema é que a Carla Bruni, sabendo da posição que ocupa, poderia perfeitamente ter evitado” Mário Sérgio

O Pop gostosinho de Katy Perry (24/04) [48 comentários]
“Concordo com vc, esse pop dela é de muito boa qualidade mesmo diferente de outros, esse tem batidas e letras bem legais e que agradam até quem não curte muito o estilo de musica Parabéns pelo texto” André Ribeiro


“Não consigo gostar de nenhuma dessas cantoras da nova geração, Kate, Lady Gaga, Byonce, Shakira, vixe, muita treta. Fazem a mesma coisa, tudo copiando uma às outras, prefiro escutar Billie Holiday” Paulo Cheng 


O som e o sotaque arretado de Karina Buhr (21/03) [48 comentários]
“Que massa teus textos! E fiquei bem feliz de ler o que você escreveu sobre meu disco e sobre mim. Obrigada! Acho importante demais blogs feito o seu, totalmente independentes e falando opiniões bem pessoais e sem vício jornalístico. Um abraço bem grande!” Karina Buhr 


“[...] Acho interessante que hoje em dia estão começando a valorizar mais aquilo que é produzido "com liberdade", pois as gravadoras estão percebendo que forçar a barra do artista pra ganhar mais dinheiro não está agradando tanto, e essa liberdade que está presente no disco da Karina está vendendo até mais do que a artificialidade muitas vezes imposta por terceiros. Minha única crítica fica ao fato de praticamente todos os créditos ficarem apenas para a Karina. O instrumental da banda é muito interessante, tem grande parte da força que o conjunto do álbum tem” Gabriel Pozzi 


Bicicletas, bolos e outras alegrias - Vanessa da Mata (10/01) [48 comentários]
“Das poucas cantoras da MPB que não estão atoladas nos anos 50. Gosto muito. O nome desse CD é dos mais criativos que vi nos últimos tempos” Pobre Esponja 


O rock underground da banda Ludov (02/05) [47 comentários]
“Fiquei todo animado quando vi que você ia falar dessa banda *--* Meus irmãos ouviam MUITO quando eu era criança, e consequentemente cresci ouvindo esses estilos de música. Infelizmente ou felizmente, cada um seguiu seu rumo, mas continuei escutando tais músicas. A minha predileta é "Princesa" Muito massa mesmo! valeu pelo post nostálgico rsrs” Lucas

O hit da internet – A banda Mais Bonita da Cidade (03/06) [46 comentários]
“Cara, gostei disso não. Pra mim é só mais uma bandinha universitária metida a cult do tipo de Teatro Mágico. Detesto isso. Como ja´disseram: "Banda Mais Bonita nada mais é que Restart pra universitário de classe média alta” Alexandre Silva 


“Nao acredito que foi sem pretenção. Muito espertos eles, usaram a receita da repetição, falaram de amor... simples. Não gostei muito do estilo da música não,e nem da letra que pretende" trazer amor pra galera" como eles falaram, mas o clipe todo em plano sequencia, aparentimente sem cortes eu gostei” Filipe Dias 


“Som muito riponga pro meu gosto, mas a ideia foi bem legal” Fábio Alves

A perda do valor da música gravada (22/07) [45 comentários]
Ótimas opiniões! A postagem que rendeu os melhores comentários. 


O som viciante de Tulipa Ruiz – Efêmera (15/02) [44 comentários]
“[...] Efêmera de fato entrou em todas as listas possíveis, um puta album nacional que, embora eu não tenha ouvido muito (infelizmente me encantei menos do que devia), é uma obra que admiro muito por sua variedade de estilos. tem gente que vê isso como algo negativo, mas eu acho muito bom [...]” Gabriel Pozzi


“Bom, eu sou mais uma que não conhecia. rs Gostei da voz e da música, e tu tem razão quando diz que a voz dela lembra um pouco a gal. Também me fez lembrar a Vanessa da Mata. Não é o tipo de música que eu gosto de escutar diariamente, mas me encanta alegrar os ouvidos com o estilo uma vez ou outra” Cris Prates 


Certa manhã acordei de sonhos intranquilos – Otto (04/04) [43 comentários]
“Otto é um artista interessante, sem dúvida. Muita curiosidade para ouvir a regravação de "Naquela Mesa", sucesso antigo de Nelson Gonçalves (homenagem à Jacob do Bandolim) .. vou procurar ouvir” Mulherices 


“Sabe que eu nunca tinha reparado muito mesmo no som dele? É curioso como tem tantos artistas bons por ai que passam desapercebidos do grande público e acabam não tendo o devido valor. Senti um pouco isso quando fui ao show do Zeca Baleiro. Não é meu estilo e nem sou muito fã mas valeu a pena de um certo modo pois ele manda muito bem. Agora fiquei curioso sobre o Otto” Marcus Alencar 


"Não sou mto fã de música brasileira. mas reconheço certos cantores sim.. mas tem outros que nem cantar sabem.. prefiro o estio internacional. hehehe Beziitos.” Thais Souza 


Karina Buhr me dá asas! (19/12) [42 comentários]
“Conheci a musica da Karina pela Mtv ano passado, que sempre passavam clipes e participações dela, mas me impressionei msm foi no rock in rio, mesmo se apresentando no palco sunset, de tarde, ela a cibelle e a Amora, fizeram um show mto bom, com estática maravilhosa super 70tista, passei a adora-la mais desde então...” Fernando (www.titulobaca.blogspot.com)

Ela parece que tá possuída gente huahuahuau gostei até :D” Iza Carrion

O brega virou cult, o sucesso de Gaby Amarantos (31/10) [42 comentários]
“O post tá interessante, mas sinceramente...eu não vejo qualidade nenhuma no tecnobrega. Acho um verdadeiro lixo, assim como o funk brasileiro =P” Juliana (www.jujubalubafacts.blogspot.com)


“Nenhum preconceito, curto montão algumas músicas ditas bregas; rótulo dos outros não é o meu. ‘O amor e o poder’, por exemplo, além de Abba, Magal... tem coisa mais deliciosa? :-) Brega é cara azeda que diz não antes de tentar ser feliz. Tecnobeijos e sucesso!” Fernanda Duarte 


O eletro-pop safadinho de Yelle (07/09) [42 comentários]
“Também gosto de apreciar música de qualidade quando vejo uma. O que eu posso dizer sobre Yelle é que seu estilo colorido de fato lembra muito os grupos dance dos anos 80. Pensei que ela até seria dessa época. Percebo também que sua qualidade musical ultrapassa e muito algumas cantoras americanas que só aparecem pra vender. Achei yelle mais natural e seu clipe mostra realmente essa energia e compromisso com o estilo musical, independente da mídia estar comprando a imagem. Sua música é divertida e agrada pessoas de todos os gostos e idades.” Marcelo Mesquita 


“Não gostei! Funk francês, não obrigada! rsrs...” Débora 


Música infantil inteligente e divertida (16/05) [42 comentários] 
“Otima essa idéia!! uma maneira de fazer chegar no ouvidinho da criança bem cedinho a musica brasileira. Acredito q a música seja um pouco como a leitura, se praticarmos, incentivarmos, se acaba tomando gosto pela coisa. E as musicas da xuxa...aposto q quem gosta mais, atualmente não são nem mais os pequenos, e sim a prole de pais que fizeram parte da geração tindolele.” Cris Prates  


Grande gravadora, pra quê? (28/01) [42 comentários]
Rendeu bons comentários, difícil escolha. 


“Para quem busca por novos artistas, e ainda debate muitas questões do atual mercado fonográfico! acho que os downloads de músicas e tal, prejudicam sim muitas bandas e isso reflete no trabalho que as mesmas tem junto as gravadoras! muitos desses artistas, inclusive, preferiram montar suas próprias gravadoras e serem seu próprios empresários para ter um controle maior e melhor em cima do material musical que estariam produzindo (caso do cantor e músico lobão, que criou o gravadora dele). mas a vantagem de se saber usar esse espaço virtual é mesmo garimpar e saber utilizar o meio como uma fonte de divulgação e propaganda... isso pode mesmo ajudar muitos artistas anônimos e desconhecidos, que querem ter seus trabalhos em destaque! como esse grande músico que vc postou aí no post, muito talentoso mesmo, por sinal.” Marcel Camp 


“Pra quem começa a engatinhar no mercado fonográfico, lançar músicas não é tarefa fácil, mediante uma série de preconceitos existentes e os custos de uma produção. A rede tem dois lados, no meu ver: dificulta para aqueles que tem seus trabalhos lançados, quando oferece downloads de seus discos ou Dvds; em paralelo, facilita a divulgação do trabalho daqueles que não tem condição de arcar com a produção de seu disco ou não conseguem devido espaço nas gravadores. Dois lados de uma mesma moeda...” Barbara Nonato 


Dos conflitos a obra-prima, Fleetwood Mac – Rumours (15/08) [34 comentários]
“Eu já conhecia a banda, mas pouco, por causa do meu pai. Eu ouvia a versão de Go Your Own Way gravada pela banca de hardcore melódico NOFX e nem sabia que era deles, até parar pra prestar atenção em uma música que estava ouvindo” Alex (http://oldschoolgeek13.blogspot.com)


Quem é a rainha? (01/03) [33 comentários] 
“Olá! Não entendo muito desse estilo musical, mas creio que quem curte axé está mais preocupado em "tirar o pé do chão" do que escolher uma cantora favorita para fazer isso...acho que as 3 tem o mesmo espaço...” Talita Cruz


Obrigado a todos, continuem opinando. Feliz Ano Novo! 

Karina Buhr me dá asas!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011


Não, ela não mentiu pra mim. O segundo álbum de Karina Buhr, Longe de Onde, é tão interessante e empolgante quanto o primeiro, o elogiadíssimo Eu Menti Pra Você (2010). A cantora passou na prova do segundo disco e trouxe mais uma pitada de energia e emoção a suas composições, sem perder a acidez jamais. A sensação ao ouvir Longe de Onde, lançado em outubro, é de estar em outra dimensão, de fazer parte de uma poesia pós-moderna. A música nos envolve pela intensidade da sonoridade e da letra. Karina Buhr é energia pura! 

As guitarras de Fernando Catatau (Cidadão Instigado), a bateria de Bruno Buarque e a voz enfurecida de Karina transformam-se em um punk-rock agressivo em “Carapalavra”, música que abre o disco. O sarcasmo, também faz presença em “Cadáver”, “se a dúvida é produto da sua escravidão/mantenha então/sua sanidade indefesa do seu estômago”. A cantora canta o suicídio exaltando uma crise existencialista em “Copo de Veneno”, porém sem perder o charme, “me dê um copo de veneno/com duas pedrinhas de gelo, pelo menos/ pra diminuir o gosto amargo”. Mesmo com toda eletricidade e momentos de tensão, medidos por músicas mais densas e de sabor amargo, tem-se momentos de calmaria em “Pra Ser Romântica”, “Sem Fazer Ideia” e “Amor Brando”. Karina também arrebenta ao cantar em inglês “The War’s Dancing Floor”, numa pegada bem psicodélica.

Longe de Onde é a continuação do bem sucedido Eu Menti Pra Você, com a diferença de que agora estamos mais familiarizados com o estilo de Karina. Tudo soa mais bacana e menos estranho, mas sem perder a originalidade. Com suas canções, ela nos convida a fazer parte da sua poesia. Lembro da primeira postagem que fiz a seu respeito e sobre seu disco de estreia Eu Menti Pra Você, na qual  relato um pouco do que senti com sua música, disse também que as pessoas poderiam gostar ou não do som, mas nunca ficar indiferentes. Foi interessante saber a opinião das pessoas, houve críticas e comentários super bacanas. A verdade é que Karina Buhr me dá asas. 

Para quem curtiu o som, tem curiosidade de saber mais sobre Karina e baixar seu disco, basta acessar o site www.karinabuhr.com.br



O brega virou cult, o sucesso de Gaby Amarantos

segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Os juízos de valor antecipados impedem as pessoas de terem novas experiências, ampliar horizontes, criar novas expectativas. Na esfera musical o preconceito se manifesta de forma categórica e seletiva, tudo é uma questão de gosto, cada um tem suas preferências. Mas é fundamental verificar e reconhecer as competências inscritas em cada gênero musical. A música de apelo popular e massivo sofre do preconceito, principalmente se o gênero musical em questão se intitula Tecnobrega, uma mistura da música brega tradicional com batidas eletrônicas. Antes de experimentar, conhecer a história ou suas principais referências, os juízos de valor muitas vezes já estão previamente estabelecidos. Essa introdução é para falar de uma cantora e um ritmo genuinamente brasileiro que nasceu no Estado do Pará. Gaby Amarantos, mais conhecida como a Beyoncé do Pará, assumiu de vez a cultura musical de seu Estado, sem medo de rótulos e preconceitos. É o ritmo que vem do Norte que somente agora todo o Brasil tem a oportunidade de conhecer.

Atualmente, Gaby é a artista mais conhecida do tecnobrega e tem ganhado reconhecimento por parte do público e crítica. O mais interessante é que ela circula bem a vontade tanto na cena indie como popular. Com um esquema totalmente independente na produção e difusão de seu trabalho, através da gravação em estúdios caseiros e distribuição de seus CDs nos camelôs e nos carros de som, Gaby conseguiu se firmar na cena musical paraense. Grandes nomes da crítica musical, como Nelson Motta e Hermano Vianna, apontam a cantora e o tecnobrega como o novo marco na música brasileira, uma renovação.

Gaby Amarantos também ganhou destaque internacional ao virar musa do documentarista francês Vicent Moon, que já trabalhou com bandas famosas, como o R.E.M.. Ele foi a Belém gravar um dos shows da cantora. Gaby também fez uma nova versão para a música “Águas de março”, que encantou Nelson Motta, pela originalidade. Hoje, ela se prepara para lançar seu primeiro disco solo, sob a produção de Carlos Eduardo Miranda. Intitulado “Treme”, o álbum trará composições de Thalma de Freitas, Felipe Cordeiro, dona Onete, Alípio Martins, Iara Rennó e da própria Gaby, além de participações de Fernanda Takai e dona Onete. É o ritmo da Amazônia conquistando o Brasil, portanto, viva o multicultural.

Abaixo o clipe da música de lançamento de Gaby Amarantos.
Para ouvir "Águas de Março", clique aqui.

O eletro-pop safadinho de Yelle

quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Foi em um desses passeios pelo YouTube que conheci uma cantora francesa muito interessante e que provavelmente muito de vocês ainda não conhecem, talvez quem tenha familiaridade com a música eletrônica já tenha ouvido, mas não deve ter relacionado a música a pessoa. Trata-se da cantora francesa Julie Budet, ou Yelle, queridinha no mundo fashionista, considerada estrela e nova diva do electro francês.

A cantora lançou seu primeiro álbum em 2007, Pop-up trazendo uma nova atmosfera a música eletrônica, estão no disco "Ce Jeu", "Je Veux Te Voir" e "À Cause des Garçons", esta última seu maior hit. A sonoridade e a performance de Yelle tem influencia do Tecktonic, dança que mistura break e poses de passarela, e que a cantora ajudou a popularizar em seus videoclipes.

O som também carrega influências do rap, pop dos anos 80, e da moda. A presença da bateria é interessante e ajuda a dar corpo a suas canções. Yelle não tem pudores ao falar de posições sexuais, brinquedinhos eróticos, ridicularizar o machismo e falar sobre os pequenos absurdos que as garotas fazem para agradar os homens. Suas letras têm teor feminista, mas sem amarguras, seu eletro-pop é dançante, sensual e divertido. Yelle já tem presença garantida nos set list dos DJs ao redor do mundo e no meu MP3 player também.

Dos conflitos a obra-prima, Fleetwood Mac – Rumours

segunda-feira, 15 de agosto de 2011
A clássica banda inglesa de blues Fleetwood Mac tem uma das trajetórias mais confusas e turbulentas da história da música. A banda sempre foi de altos e baixos. Surgida no final dos anos 60, o grupo teve várias formações, a mais famosa delas foi com Chistine McVie nos vocais e teclados, Mick Fleetwood na bateria, John McVie no baixo, Stevie Nicks nos vocais e Lindsey Buckigham na guitarra. Em meio a relações turbulentas entre os integrantes, fins de relacionamentos amorosos, além dos problemas de bebidas e drogas, em 1977 o Fleetwood Mac lançou seu aclamado décimo primeiro disco, Rumours, tornando a banda conhecida mundialmente.

Na época da gravação o casal John e Christine passava por um tumultuado divórcio, assim como Mick Fleetwood. Buckingham e Nicks, que eram namorados de longa data, também terminaram. O álbum estava sendo gravado em meio a fofocas, rompimentos e desentendimentos. Problemas que são um prato cheio para provocar o fim de grandes bandas. O clima era tão tenso que os integrantes mal se falavam quando estavam fora do estúdio. Mas eles usaram todo esse drama, essa energia negativa como inspiração para fazer ótimas músicas.

Todas as canções de Rumours destacam os conflitos pessoais e, muitas vezes, relacionamentos conturbados. Em “You Make Loving Fun“, Christine McVie fala sobre o namorado, o diretor de iluminação da banda, depois da separação de John. “Dreams” detalha um rompimento amoroso, mas que transmite uma mensagem de esperança, já em “Go Your Own Way”, composta por Buckingham, tem uma visão mais pessimista, trás a angústia de estar perdendo a pessoa que ama, e que, infelizmente, não há mais nada a se fazer, apenas deixar que ela siga o seu caminho. Apesar das inúmeras desavenças, os cinco membros da banda conseguiram trabalhar juntos na composição de uma canção, a irônica “The Chain”, a única na história da banda em que todos compartilham a autoria.

Mesmo com algumas críticas por ter abandonado o blues característico e ter se tornado mais pop (o que, nesse caso, não é um problema), Rumours é realmente um divisor de águas para Fleetwood Mac e um excelente disco. No ano de seu lançamento ficou 31 semanas em primeiro lugar nas paradas de sucesso, consagrou alguns hits, além de ser um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos, com mais de 40 milhões de cópias espalhadas pelo mundo. Diante de tantos problemas, o que poderia vir a ser um fisco se transformou em uma obra-prima, e certamente é um álbum obrigatório para quem gosta de música.

* A banda The Cranberries fez um cover bacana de “Go Your Own Way”, e mais recentemente o seriado Glee fez uma homenagem a banda em um dos episódios da segunda temporada.
Clique e ouça “Go Your Own Way”