Bicicletas, bolos e outras alegrias - Vanessa da Mata

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Primeira postagem do ano, já estava com saudades desse cantinho. Vou iniciar falando do novo disco de Vanessa da Mata - Bicicletas, bolos e outras alegrias, que foi lançado em novembro do ano passado. Esse novo trabalho apresenta uma cantora muito mais intimista, delicada e as canções carregam uma variedade sonora bacana sem perder a unidade. O quarto álbum da carreira de Vanessa foi lançado por seu próprio selo, Jabuticaba, em parceria com a Sony Music e patrocinada pela Natura. O disco foi produzido por Kassin, que já trabalhou com Los Hermanos e Caetano Veloso, tendo só canções inéditas, incluindo participação de Gilberto Gil na faixa Quando amanhecer.

Sem dúvida esse novo álbum vem inspirado, esbanjando delicadeza e romantismo, há também crítica bem humorada em algumas canções como em Fiu fiu, que faz uma abordagem sobre a luta das mulheres contra a balança, para agradar amigas e inimigas, e em Bolsa de grife, uma crítica a sociedade exageradamente consumista dos tempos atuais, emoldurada sobre um arranjo que lembra bem Os Mutantes. O lado pop se vê logo na abertura do disco em O tal casal, hit radiofônico, um chicletinho agradável, mostrando que Vanessa sabe fazer música de apelo massivo de alto nível e bom gosto. A cantora exala romantismo em Te amo soando quase cafona brincando com os clichês da paixão, as faixas Meu aniversário e Bicicletas, bolos e outras alegrias (que dá nome ao disco) é uma farra só, uma celebração as coisas simples e belas da vida. Destaque também para a belíssima, As palavras, a melhor do disco.

Enfim, Bicicletas, bolos e outras alegrias confirma o talento de Vanessa da Mata com seu ecletismo, sem fazer mal a crítica e ao público. A variedade de ritmos, arranjos simples outros sofisticados, juntamente com sua talentosa banda conseguem traduzir bem as melodias e o sentimento contido nas canções. Romantismo (O Tal Casal, Te Amo), critica o consumismo e as aparências (Bolsa de Grife, Fiu fiu) e a celebração a alegria (Meu aniversário), ditam a personalidade do disco e mostra uma cantora bem resolvida com seu estilo. Um bom lançamento do ano que passou.

Aperte o play e ouça "fiu fiu":

Um ano de blog e muitos agradecimentos

terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Hoje o Todos os Ouvidos não irá falar sobre nenhuma música, nem um gênero musical ou artista, hoje a postagem é especial, é de agradecimento a todos aqueles que acompanham o blog, principalmente os que participam com suas opiniões desde sua criação. Muito foi feito nesse tempo, os assuntos se ampliaram, o visual mudou, mas a intenção continua a mesma, discutir música seja qual for o gênero, país de origem, ou o gosto musical do leitor, o importante aqui é ser um espaço para discussão. O blog Todos os Ouvidos completou um ano de existência no mês de novembro, foram muitas postagens sobre o universo musical e muitos foram os comentários bacanas. E alguns deles me impulsionaram a continuar escrevendo, pesquisar coisas legais que pudessem ser interessantes para o leitor.

O começo foi tímido, sem muita divulgação, mas foi evoluindo graças ao retorno de vocês. Agradeço aos 130 seguidores que se identificam e curtem o blog, aos curiosos que leram algum texto que lhes chamou atenção ou apenas visitaram, e especialmente aqueles que me surpreende a cada comentário com opiniões e sugestões valiosas, a exemplo de Grabriel Pozzi (songsweetsong.blogspot.com); Sandro (estacaoprimeiradosamba.blogspot.com); Nicelle Almeida (nicellealmeida.blogspot.com); Mikael Moraes (mikaelmoraes.blogspot.com); Felipe Matula (feriasdopresidente.blogspot.com); Tatiana (coracaoonline.blogspot.com); Daniel (esteticamusical.blogspot.com), suas páginas já se tornaram leitura obrigatória.

Enfim, mais uma vez muito obrigado a todos, e como tudo aqui termina em música, aproveito o clima natalino e deixo o vídeo feito pelo Pato Fu especialmente para o Fantástico. É bem legal, divirtam-se! E para quem deseja ler o primeiro post do blog, é só clicar aqui!



Feliz natal a todos!

A brincadeira que deu certo, Pato Fu - Música de Brinquedo ao vivo

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Finalmente a banda Pato Fu voltou a Salvador, e dessa vez trazendo a turnê Música de Brinquedo do seu mais recente álbum, no qual, as canções foram todas gravadas com instrumentos de brinquedo ou miniaturas. O show aconteceu na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, no último dia 27, e levaram fãs, admiradores e baixinhos a uma experiência divertida e surpreendente.

Em postagens anteriores já havia falado do disco, da recepção pelos fãs, e agora vou falar sobre o show. Estava super ansioso e curioso para conferir de perto o resultado desse trabalho no palco, se já é difícil gravar um disco todo com instrumentos de brinquedo, imagine então levá-lo para os palcos sem nenhum playback ou qualquer artifício que possa maquiar as imperfeições sonoras. A primeira coisa que você pensa ao ver o palco lotado de brinquedos e mini instrumentos é: “esse negócio não vai dar certo”, capaz de ficar tenso em alguns momentos, imaginando se algum “instrumento” irá quebrar ou acabar a pilha, mas o trabalho é muito bem orquestrado e acaba saindo tudo nos conformes, além de ser muito prazeroso de se ver e ouvir.

A presença dos bonecos do Giramundo trás mais encantamento ao espetáculo e seduz o público logo de cara. Os bonequinhos interagem o tempo todo fazendo a participação que no disco são das crianças, tornando a atmosfera do show ainda mais lúdica. Primavera, sucesso conhecido na voz de Tim Maia, abre a apresentação soando bem parecida com a versão do disco. Em Frevo mulher, um lápis “elétrico” e zoadento faz o papel da sanfona, enquanto um dos bonecos toca zabumba e o outro usa uma cabeleira azul ao invés de vermelha, contrariando o que diz a letra da canção de Zé Ramalho. Outro bom momento é quando os bonecos surgem com os cabelos encaracolados representando as "cucas maravilhosas", pregando a mensagem humanista em Todos estão surdos, sucesso de Erasmo e Roberto Carlos, já em Live and let die, Fernanda Takai leva o público ao delírio estourando foguetes de papeis picados. Mas, as brincadeiras não param por aí, Xande Tamieti (baterista) não se contentando com sua mini bateria, usa um pogobol, aquele brinquedo de pula-pula que já fez muita criança se espatifar no chão, e um João-bobo, que faz parte do cenário, como instrumentos de percussão em Perdendo dentes e Sobre o tempo, hits antigos do Pato Fu, mostrando que eles também sabem brincar com o próprio repertório.

O momento mais intimista do show veio no bis, quando Fernanda cantou Love me tender executando tibres de uma caixinha de música. Logo em seguida o público vibrou com Made in japan, empolgando os fãs mais antigos da banda. No encerramento e em tom bem descontraído tocaram um trecho de Bohemian Rhapsody, do Queen, uma cena apoteótica. Vale destacar as figuras que estavam na platéia, além dos fãs e apreciadores, várias crianças com os pais, tinha uma que parecia ter uns quatro anos e estava vestida de boneca Emilia, coisa mais fofa. Enfim, esse é sem dúvida um show muito divertido, e o Pato Fu provou que essa brincadeira musical deu super certo nos palcos, para a felicidade de adultos e crianças.

Veja abaixo o video* de Live and let die


*crédito: Eron Leal

As redes sociais e a música digital

domingo, 21 de novembro de 2010
A operadora de telefonia Oi irá premiar os artistas musicais mais engajados do mundo virtual, é o Prêmio Música Digital. A premiação tem como intuito estimular e valorizar esse novo segmento de difusão e consumo de música, assim como tentar conscientizar o público e fãs a consumirem música de forma legal, já que a pirataria virtual não remunera artistas, compositores e produtores. A popularização da internet e a crescente utilização dos recursos digitais viabilizaram novas práticas de produção, difusão e consumo de música. A cada dia que passa os LPs, K7s e CDs, que outrora reinavam em nossas estantes, estão dando lugar aos novos formatos digitais. Apesar da pirataria digital, o mercado de venda de música na internet, ou através dos dispositivos móveis, tem crescido bastante e mostra um grande potencial, indicando uma nova tendência.

Músicos e fãs utilizam a internet, através de blogs, podcasting, sites, rádios online e comunidades virtuais para estabelecerem uma comunicação direta com seu público e divulgar materiais musicais. Os fãs e aficionados por música não precisam mais se reunir em espaços físicos. A internet viabilizou o encontro desses grupos em espaços virtuais, por meio de listas de discussão, chats e rede de compartilhamento de arquivos sonoros. Podemos encontrar facilmente blogs com listas de diversos artistas e sua discografia completa. A internet tem a vantagem de possibilitar o acesso a trabalho de diversos artistas ao redor do mundo, que seria provavelmente impossível encontrar nas prateleiras de discos, pela própria limitação física ou falta de apelo midiático. Podemos também passar de meros consumidores, receptores da mensagem, para fazer o papel de “críticos”, já que os blogs e afins estão aí para isso.

Essa postagem está longe de discutir a questão da pirataria, que é algo muito mais complexo, ou mesmo o impacto da internet na indústria fonográfica, que é um fato, o objetivo é falar um pouco sobre como a internet está sendo usada por fãs e artistas como canal de comunicação e construção de sua carreira. Lógico que surgem um monte de porcarias, com a internet todo mundo quer ser artista, mas é possível garimpar muita coisa boa e de qualidade, como é o caso do trabalho de Lucas Santtana que usa seu site para divulgar seu trabalho e disponibilizar suas músicas de graça, com total interatividade entre o artista e seu público. A Divulgação em primeira mão de um clipe no Youtube, a publicação de música para download gratuito em sites de gravadoras independentes ou no MySpace, por exemplo, podem ser o ponto de partida para o sucesso, como foi o caso de Lily Alen, Mallu Magalhães, e a banda Cansei de Ser Sexy, que participou de vários festivais internacionais e abriu diversos shows de Gwen Stefani. Enfim, o Orkut, Twitter, MySpace, e outras redes sociais, tem importância fundamental na conjuntura atual na indústria da música, basta fazer bom uso dos recursos disponíveis. Ou o artista se insere nessa nova realidade ou ficará para trás.


Ela é Louca, mas eu gosto! - Shakira

terça-feira, 9 de novembro de 2010
Muitos são os preconceitos entorno da música pop, principalmente aquela de apelo massivo e comercial, mas ela pode ser agradável e ir além dos apelos coreográficos e sensuais. O pop pode ser bom, apesar de descartável. Gosto sim da música pop, não de todas, nem de todos os artistas, mas aqueles que conseguem ultrapassar a barreira do estrelismo, muitas vezes passageiro, e preservar suas raízes.
Essa pequena introdução é para falar de uma artista que gosto e acho interessante, a cantora colombiana Shakira, além de toda sensualidade, ela tem carisma, uma voz encorpada(ótima!) e carrega o sangue latino nas veias.

Shakira acaba de lançar seu novo disco, Sale el Sol ("The Sun Rises" na versão em inglês). O álbum traz a cantora muito mais eclética, carregado de ritmos latinos e uma pegada muito mais envolvente. Algumas canções trazem o som do acordeom e gaitas de fole, a cantora gravou junto com o aclamado acordeonista Egidio Cuadrado e também com Mayte Montero que é conhecida como a maior gaitista Colombiana. Ao contrário de She Wolf, nesse novo CD vamos ouvir músicas pop latinas mais voltadas às raízes de Shakira, que remonta ao início de sua carreira. Uma mistura de sons árabes com a gaita de fole, acordeom e outros instrumentos tradicionais da região do Caribe, tudo muito bem dosado, sem exageros. Destaque para as canções “Sale El sol”(que abre o disco), "Antes de lãs seis”, “Mariposas” e as dançantes “Loca” e “Rabiosa”, além da música tema da Copa do Mundo, “Waka Waka”.

Tudo indica que a turnê irá passar pelo Brasil, e dizem os mais afoitos que Ivete Sangalo irá abrir os shows, vamos aguardar e conferir. Enquanto esse momento não chega aumente o volume e veja o clipe de “Loca”, em que a cantora faz algumas loucurinhas. E quem nunca mexeu o esqueleto ouvindo uma música pop, que atire a primeira pedra!

A música latina de Julieta Venegas

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ela já cantou com Lenine, Marisa Monte, Otto e Érika Martins*, estou falando da talentosíssima Julieta Venegas, que nasceu em território americano, mas passou toda sua infância em Tijuana (México), onde começou seus estudos musicais. Sua primeira turnê foi com o grupo Chantaje que combinava ska e reggae. Com 22 anos foi para a Cidade do México, onde combinou a composição para o teatro com música ao vivo, primeiro com a banda chamada Lula, posteriormente com La Milagrosa. Depois de fazer parte de dezenas de projetos, em 1996 ela assinou contrato com a BMG e no ano seguinte lançou o seu primeiro álbum solo, Aquí. O tempo que trabalhou o disco foi importante para a entrada no mercado europeu, na América Latina que fala espanhol e nos Estados Unidos.

É complicado falar de música latina no Brasil, visto que poucas pessoas conhecem os artistas latino-americanos, mesmo porque nossas mídias dão pouco destaque, exceto aqueles que já alcançaram sucesso global e conseguiram colocar seu nome no nosso mercado e suas músicas nas rádios a exemplo de Shakira, e do Julio Iglesias há um tempo, ou quando vira algum fenômeno da TV como foi o caso da banda RBD. O fato é que a música de língua espanhola tem pouco destaque aqui no Brasil, talvez a principal explicação possa estar na barreira linguística, poucos são aqueles que conseguem ultrapassar esse detalhe, Julieta com sua elegante irreverência é uma delas.

Conheci o trabalho de Julieta Venegas há pouco tempo, exatamente através de participações com artistas brasileiros. Ela é uma cantora versátil, toca vários instrumentos incluindo acordeom que tem presença marcante em algumas de suas canções, já foi vencedora do Grammy e dois Grammy Latino e ao longo de sua carreira, e já vendeu mais de 6,5 milhões de cópias no mundo inteiro.

Discografia:
1997 – Aquí (RCA International)
2000 – Bueninvento (BMG)
2003 – Sí (BMG) (CD+VCD) (CD+DVD)
2006 – Limón y Sal (Sony BMG) (CD+DVD)
2008 – MTV Unplugged Julieta Venegas (Sony BMG) (CD+DVD)
2010 - Otra Cosa (Sony International)

Dê um clique e ouça Me Voy



*clique, veja e ouça as participações especiais

Quando o canto é reza - Roberta Sá

terça-feira, 5 de outubro de 2010

“Quem não gosta de samba bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé”, já dizia a canção. Mesmo quem não aprecia o gênero a de concordar que não existe nada que represente tanto a brasilidade como o samba. Pois bem, uma das cantoras mais talentosas da nova música popular brasileira, a potiguar Roberta Sá, lançou no segundo semestre deste ano, o disco Quando o canto é reza, em parceria com o Trio Madeira Brasil. O trabalho trás treze canções de autoria do sambista baiano Roque Ferreira, que já foi gravado por grandes ícones da música nacional, como Clara Nunes, Maria Bethania, Alcione, Zeca Pagodinho, entre outros.

Depois dos excelentes discos “Braseiro” (2005) e “Que belo estranho dia para se ter alegria” (2007), o mais recente "Quando o canto é reza" não fugiu a regra dos anteriores em se tratando de qualidade, mas esse é especial por se tratar de uma homenagem a um grande sambista e por fincar de vez os pés de Roberta no samba. O disco mostra uma cantora ainda mais madura, firme, com uma voz impecável, límpida e deliciosa. Quando o canto é reza faz um passeio por ritmos musicais genuinamente brasileiros, como o samba carioca, o afoxé e o samba de roda. Vale destacar a nova versão de "Água da minha sede", conhecida na voz de Zeca Pagodinho, e a animadíssima "Cocada". Para quem já aprecia o gênero vale a pena buscar pelo álbum, para os que têm um pé atrás com o samba podem ouvir sem frescuras porque certamente serão encantados por esse trabalho. Depois não reclamem que está faltando coisa boa na música brasileira.

Canções:

1. Mandingo
2. Chita Fina
3. Zambiapungo
4. Cocada
5. Água da Minha Sede
6. Orixá de Frente
7. Água Doce
8. Menino
9. Tô Fora (com Moyses Marques)
10. Xirê
11. Marejada
12. A Mão do Amor
13. Festejo

Dê um clique abaixo e ouça Cocada