
Quem do pop/rock nacional se arriscaria a fazer e lançar um disco todo feito com instrumentos de brinquedo? Quem? Quem? Só a banda mais criativa dos últimos anos do pop nacional teria tal audácia, o Pato Fu. Lançado no começo de agosto, Música de brinquedo, seu décimo álbum, traz 12 canções bem conhecidas do público, nas quais os arranjos originais são tirados nota por nota por instrumentos de brinquedos ou mini instrumentos. A ideia de fazer um trabalho com essas características surgiu a muito tempo, desde que John (guitarrista e produtor) teve contato com o disco “Snoopy’s classics on toys: Beatles”, com canções do quarteto de Liverpool tocadas com instrumentos de brinquedo.
Música de Brinquedo trás ainda a participação de Nina, filha dos músicos Fernanda Takai e John Ulhoa, e de outras crianças. Apesar do apelo ao universo infantil, o repertório não pode ser considerado infantil, ou, pelo menos, não é infantilizado. A seleção é quase a trilha sonora dos pais e mães que passaram sua infância e adolescência entre os anos 1970 e 1980, são algumas delas: Ovelha Negra (Rita Lee), Todos Estão Surdos (Roberto e Erasmo), Ska (Herbert Vianna), Love Me Tender (Elvis Presley), Primavera (Vai Chuva) (Cassiano /Sílvio Rochael), Sonífera Ilha (Branco Mello /Marcelo Fromer /Tony Bellotto /Ciro Pessoa /Carlos Barmack) e My Girl (Smokey Robinson /Ronald White). A escolha por um repertório já conhecido se justifica pelo fato de provocar um impacto maior do que se todas as músicas fossem inéditas . O interessante nesse projeto é reconhecer os arranjos rigorosamente iguais aos originais tocados com instrumentos de brinquedo, que vão desde flauta, xilofone, kalimba, escaleta até piano de brinquedo e um tecladinho-calculadora Casio VL1. O Drawdio, uma espécie de lápis-theremin, é usado para substituir a sanfona em “Frevo mulher” (uma das minhas favoritas) e o resultado é impressionante.O mais legal é que não há interferência de recursos de computação para aparar as imperfeições trazidas pelo sons dos brinquedinhos, a intenção era mesmo essa. É muito difícil atualmente no mercado fonográfico nacional, principalmente no independente, uma banda de quase 20 anos de estrada continuar criativa, produzindo e ainda ter espaço cativo na mídia sem perder qualidade, isso é para poucos.
Enfim, o disco tem sido bem recebido pela critica, mas dividiu opiniões entre os fãs. Enquanto a maioria gostou da ideia e entendeu a proposta, alguns fãs, mais radicais, criticaram por ser um disco só de covers (fiz uma postagem anterior a respeito). Trata-se de fãs mal acostumados e mal humorados. O resultado do “Música de brinquedo” é delicioso e divertido tanto para os grandinhos quanto para os baixinhos, que podem ser iniciados na BOA música desde já. E para quem se perguntou se essa experiência será transportada para os palcos, pode apostar que sim, tanto é que já foram feitos dois shows de estreia no Rio de Janeiro e deu super certo. A turnê irá passar por várias cidades, terão ainda a participação especial de bonecos do grupo Giramundo no lugar das crianças e todos os músicos estarão munidos de seus instrumentos de brinquedo, só torcer para que a bateria de alguns não acabe.
Quem tiver curiosidade aperte o play e escute duas das músicas do CD.