A perda do valor da música gravada

sexta-feira, 22 de julho de 2011
A popularização da internet e a crescente utilização de recursos digitais viabilizaram novas práticas de produção, difusão e consumo de música. Vivemos atualmente a era dos downloads, a volta dos singles, a perda da autonomia do álbum e a super valorização dos shows, nunca se consumiu tanta música.

Apesar do contexto favorável a artistas, músicos e consumidores, é importante perceber a perda do valor da música gravada. A prática cada vez mais constante de baixar música de graça pelo computador problematiza uma série de questões. Primeiro fere a política dos direitos autorais, o artista e gravadora deixam de ter retorno financeiro e o domínio sobre sua obra. Outra questão envolve a perda de autonomia do álbum em valorização a músicas isoladas, deixando de ser uma obra fonográfica, conceitual, e passa a ser uma mera compilação de sucessos. Antes, o disco assumia uma importante autonomia artística, que hoje, diante da cultura MP3, parece não haver nenhum sentido. Pois ainda que o internauta possa baixar um álbum inteiro pela internet, ele não precisa gravar esse conteúdo no CD, e mesmo que o faça, o valor simbólico desse disco gravado não é o mesmo do antigo disco comprado.

Nenhum artista vive apenas da vendagem de disco, e sabemos disso, sua receita vem principalmente de shows, mas, em alguns casos, chega a ser vulgar a distribuição de material musical por algumas bandas, são distribuídos como panfletos. Assim, a obra musical deixa de ter valor artístico, perde a centralidade, tornando-se uma mera peça de divulgação, com o objetivo de vender ingressos para shows.

Portanto, não se trata apenas da perda de valor financeiro, que deve sim prever algum retorno aos envolvidos na produção da obra musical, claro que a preço justo. E o valor de um produto cultural é relativo e sempre polêmico. Mas a queixa principal reside mesmo na perda do valor artístico e no caráter descartável que a música vem ganhando. Interessante a atitude da banda Radiohead que deixou a critério do público o quanto pagariam pelas músicas do álbum “In Rainbows”. Uma estratégia inteligente e eficaz, eles não sairam perdendo.